Pedro e Camila - Hold On!

Conto 2 – Parte 1

Ela tinha uma vaga lembrança do sonho que a fizera acordar, lembrava da voz de um cantor pouco familiar. E, ainda menos familiar seria a mensagem da música que ele cantava enquanto invadia seu sono: ‘Hold on! Hold on!’

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Conto 2 – Parte 1

Ela tinha uma vaga lembrança do sonho que a fizera acordar, lembrava da voz de um cantor pouco familiar. E, ainda menos familiar seria a mensagem da música que ele cantava enquanto invadia seu sono: ‘Hold on! Hold on!’

Ela acordara tarde, já eram mais de 3 horas da tarde… Chovia muito, o céu estava cinza e um sopro de vento inquietava os papéis espalhados sobre a escrivaninha. Ela estava seca, andava pela casa, passo a passo, roçando as pernas uma na outra, sentindo o compasso de seu próprio andar. Espreguiçou-se… ‘Hold on! Hold on! Ela esboça uns passos de dança tentando resgatar um ritmo de música, mas sua memória estava fragmentada, resquício dos últimos tempos… ‘Maybe this time is forever’, um outro flash que retorna dos sonhos que tivera…

Vaidosa, ela veste-se displicentemente, como se quisesse confrontar sua própria tradição. Um short de malha desbotada, uma camiseta que fazia aparecer parte de seu ventre, um chinelo de dedos. Ela não esquece seu anel de esmeraldas, mas se despiu de si mesma e foi em busca de algo… Saiu na chuva para andar.

Quando a chuva começa a visitar seu corpo ela sente um prazer incrível, ela sorri aquele sorriso que lhe é peculiar, é largo, estrondoso, como se quisesse chamar os céus para junto de si. Ela pára no meio fio e seus pés tocam a água que corre pela sarjeta. Abre os braços e abraça o vento. ‘Meu anel é como a bolsa amarela daquela menina da Lígia Bojunga Nunes. Será esse o nome da autora? Não importa, só lembro da bolsa mesmo!’ Ela estende o braço e deixa que seu anel a guie. Vai tocando a água que corre na sarjeta e vai descendo a rua, chutando a água, buscando-a como se não houvesse mais nada no mundo.

‘Quem me possui terá, de minha parte, um fiel companheiro, um cúmplice para todas as horas. Muitas histórias eu tenho pra contar. Eu habito seu cotidiano, aguço sua vaidade e inspiro a ganância de quem não me possui! Eu não sou um presente, sou um legado’ Sim, era ela dando vida àquilo que a levava a descer pela sarjeta.

Uma avenida larga, ela observa cada detalhe enquanto procurava algum segredo. ‘Vamos lá, um sinal!! Eu preciso achar!’ Ela vê os carros passando, uma criança vem numa bicicleta, grita para sair da frente e, de sacanagem, passa na poça d’água pra lhe dar um banho. Banho? ‘I’ll be the one who leaves you… to the end of time’. Sim! Ela lembra de mais uma parte da música.

A porta de casa era de madeira pesada, tinha uns tapetes coloridos na entrada. Ela se ajoelha ali, numa reverência nunca antes pensada. ‘Yes!!! I’ve got it!!’. ‘Cadê o CD? Hum… acho que é esse: Faith’ Volume máximo, atenção redobrada. Ele ainda dormia e, nos primeiros acordes da música, se remexe na cama, como se estivesse avisando que percebeu a presença delas. Ela não se importa, abre as janelas, tira a roupa e seca seu corpo no corpo dele.

‘I’ll be your father figure, I’ll be the one who loves you to the end of time’ é o que a música dizia. Abraçando seu amado com as pernas que o puxavam para junto de si, ela é tomada de um pavor. ‘Maybe this time is forever’, ela lembra novamente! ‘The one who leaves you’. Ela se perdeu… Ela procurava aquele pai em cada homem que encontrara…




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