Greg continua em sinuca de bico

Aquele dia Greg acordou um tanto chateado. Já faziam dois anos que tinha iniciado sua empresa de consultoria, mas via seus sócios com tempo para manter a página do Facebook atualizada e seus “blogs” bombando. Enquanto isso quem visitava os clientes e levava trabalho para casa era ele.

Na verdade Greg nunca gostou muito dessa onda de deixar a vida mais pública que de uma celebridade. Chegou a tentar fazer um blog, mas logo desistiu. O que gostava mesmo no computador era o AutoCAD e seus incríveis módulos que o ajudavam em qualquer projeto.

Posted by Hµ63Z on

Aquele dia Greg acordou um tanto chateado. Já faziam dois anos que tinha iniciado sua empresa de consultoria, mas via seus sócios com tempo para manter a página do Facebook atualizada e seus “blogs” bombando. Enquanto isso quem visitava os clientes e levava trabalho para casa era ele.

Na verdade Greg nunca gostou muito dessa onda de deixar a vida mais pública que de uma celebridade. Chegou a tentar fazer um blog, mas logo desistiu. O que gostava mesmo no computador era o AutoCAD e seus incríveis módulos que o ajudavam em qualquer projeto.

Mesmo assim, no fim do dia aceitou o convite para ir tomar uma cerveja com os sócios. Achava que realmente estava merecendo uma bebida gelada e um bate papo informal sobre qualquer assunto que não fosse trabalho.

Chegando em casa, Marina estava lá, arrastando seus chinelos pela casa, com cara de poucos amigos, passando um pano no chão.

– Essa porcaria de cachorro que você arrumou, Greg, só me dá trabalho! Tô precisando de ajuda com as roupas que estão na corda, hoje tenho mais roupas para estender!

– Oi, Marina… É bom te ver também… Como foi seu dia?

– Preciso responder?

Então foi recolher a roupa, guardou, ligou para a TV a cabo pois o ponto adicional estava falhando… Tentou organizar mais algumas coisas, mas estava exausto e se sentou na frente da TV para assistir um programa qualquer.

Percebeu que Marina passou para a cozinha meio chorosa e foi atrás.

– Que que houve, Marina?

Recebeu como resposta um silêncio como nunca tinha visto.

– Quer falar um pouco?

Marina meneou a cabeça.

– Então, tu não te importa se eu falar?

– Não… Fala…

– Sabe… Ando cansado de tanto trabalhar e sempre ter mais coisas a fazer. Tipo, tu reclamou que tinha que levar o cachorro para passear de manhã e que estava se atrasando, enquanto isso eu arrumava a cama. Passei a arrumar a cama e levar o cachorro para passear… Tínhamos acertado que tu colocava a roupa na máquina, estendia e recolhia, e eu dobrava e guardava… Demoro, mas guardo… E agora muitas vezes recolho também… E sempre tem algo faltando: instalar um equipamento em casa, colocar um quadro, arrumar algum armário e coisas assim… Fico pensando o que tenho que mudar em mim para que não fique com essa sensação que estou deixando de fazer algo.

Ela ficou em silêncio por um bom tempo… quando falou, já andando de um lado a outro da casa se preparando para ir dormir, foi com tom de nojo no que falava.

– Talvez se eu fizesse mais coisas de mulher sobraria mais tempo para que você fizesse coisas de homem.

Greg ficou pensando… filosofando sobre o machismo do mundo e o feminismo da atualidade…

O feminismo não seria apenas o machismo às avessas? Se for assim, quem tem horror ao machismo não deveria ser igualmente contra o feminismo?

Não se aguentou e foi até o quarto, onde Marina estava se preparando para deitar.

– Sabe que esse seu tom de nojo com o “coisas de homem” e “coisas de mulher” me deixou intrigado. É muito bonito falar em igualdade de sexos, que não existe “coisa de homem” e “coisa de mulher” pois os dois são responsáveis pela casa, mas quando um armário tem problemas: Áh, isso tem que ser feito por homem. Quando tem que pegar uma ferramenta mais pesada e furar a parede: Áh, tem que ser feito por homem. Trocar pneu de carro: Precisa da ajuda de um homem. Carregar coisas pesadas: Homem. Será que não existe mesmo coisas de homem e coisas de mulher?

Novamente o silêncio reinou…

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