“And so this is Xmas…” [John Lennon]
Estamos chegando perto do Natal. Como em todo ano, chegamos ao Natal e na empresa fazemos amigo secreto. Em casa também tem amigo secreto. No dia de Natal tem festa (esse ano vai ser em casa). As crianças ganham um monte de brinquedo. Eu chego perto da falência. As rádios e Tvs anunciam grande promoções (em sua maioria de promoção não tem grande coisa, pois o ano inteiro fizeram promoção). As instituições de caridade lembram-nos dos desfavorecidos. Todo ano é a mesma coisa.
O que tenho notado de diferente é que o ano passou muito rápido. O tempo parece estar em marcha acelerada. Um segundo não parece mais do que um milésimo do que era quando eu era criança.
A mensagem de fim de ano de uma grande rede de supermercados do sul do Brasil diz que o tempo passa mais devagar quando fazemos coisas diferentes e novas para nós… A mensagem é muito bonita, mas discordo do que diz.
Nesse ano fiz muitas coisas novas para mim. Mudei de emprego, usei novas tecnologias na empresa, comecei a fazer terapia, mudei meu relacionamento com meus filhos, mudei meu relacionamento com minha esposa, mudei meu relacionamento com os afazeres de casa, mudei de cara diversas vezes durante o ano (hora de barba, hora sem barba, hora de cavanhaque, hora com cabelo preso, hora com cabelo solto, hora com dois rabos de cavalo, hora com gel, hora sem gel, hora de óculos escuros, hora de óculos claros, hora sem óculos), mas no entanto, o ano voou mais rápido que nunca.
Mas acho que a vida é assim mesmo… Quanto mais responsabilidade temos, mais o tempo corre e menos nos damos conta do tempo que está passando, o tempo que estamos perdidos em tanta coisa pra fazer e não nos damos conta de que os filhos estão crescendo, a esposa sente nossa falta, que nossos pais estão envelhecendo e nós mesmos já estamos adultos e cheios de responsabilidade e falta de tempo para tudo.
Nos projetos que tenho pro ano que vem, um envolve viagens constantes entre Porto Alegre (RS) e Coritiba (PR). Esse trecho dura 12 horas de ônibus, e para que o projeto dê dinheiro teria que ser feito de ônibus ou carro, pois avião consumiria todo o lucro. Ou seja, mais de meu tempo com minha família seria gasto com projetos profissionais.
Me pergunto se vale a pena… Parte de mim me diz que vale a pena, pois com mais dinheiro o tempo reduzido que teria com minha família teria melhor qualidade. Outra parte de mim me diz que isso é loucura, pois no dia que teria de folga, tudo que eu iria querer era descançar.
Mas, quem não arrisca não petisca (diz o ditado), e acho que vale a pena tentar.
Lançar-se ao desconhecido é algo que nunca me deixou muito indeciso. Afinal, vim para Porto Alegre à 6 anos com pouquíssimo dinheiro, sem emprego definido e contra a vontade de meus pais. Mas, com muita sorte que tenho, depois de 9 meses consegui meu primeiro emprego de carteira assinada, onde fiquei por 4 anos e 10 meses. Mais um pouco de sorte e consegui sair de lá para um emprego melhor no momento em que quis.
No entanto, de uns tempos pra cá tenho pensado muito mais na minha família e o quanto já sacrifiquei momentos com eles por causa de decisões que nem sempre foram boas e fico pensando se mais esse sacrifício não poderia ser inútil. Mas acredito que dependendo do ganho monetário e a melhoria que eu poderia fornecer ao padrão de vida da minha família seria realmente interessante.
Bom, agora é apostar e ver o que vai dar… Como dizem os franceses: “C’est la vie!”


Dez 15, 21:41
Como leitora e apreciadora de seus escritos, desde ontem estou por aqui a pensar se comentava ou não. Decidi e venho sem intenção alguma de interferir e sim de informar apenas que “é a vida” em francês é da seguinte forma: c’est la vie.
Srta. Dona Adri
Dez 16, 00:24
Cresci em uma família fragmentada, essas de pais separados. Minha mãe sacrificou e ainda sacrifica o bem estar dela pelo meu e de meu irmão, nunca nos faltou nada e foram mutias as vezes que tivemos regalias que estavam além das possibilidades da nossa situação financeira. Não tenho do que reclamar, porém hoje, olhando pra trás, penso se tudo não teria sido melhor se ela tivesse sido mais presente. Não que ela não fosse, sempre que podia ela nos levava para um praça para andar de bicicleta, só que no final, acabamos crescendo meio que independentes e é fato que não nos conhecemos direito.
Pense nisto.
Dez 19, 12:49
Quando se é criança, não se entente este tipo de coisa…