Parte Final
No caminho para a pizzaria foram conversando sobre aquele sábado tão confuso para ela:
_ E o desenho, Pedro?
_ Tá lá...
_ Acabou??? Por que não me avisou??? Quero ver!
_ Calma… Ainda não acabei…
Ela pensava sobre aquilo, ‘Será algo tão difícil de entender?’. Ela não conseguia tirar isso da cabeça e ele nem sabia que ela estava tão intrigada em seu desenho…
_ Pedro…
_ Fala…
_ Essa pizza tá uma delícia, não?
Ele sorri…
_ Fala, Camila…
_ Falar o que?
_ Fala pra mim o que você tá pensando…
_ Já falei… Essa pizza tá deliciosa…
_ Então tá... – ele deixa um sorriso intrigante no ar…
_ Tá rindo do que?
_ Nada… Você tá linda hoje…
‘Poxa… Fiquei intrigada com esse sorrisinho dele…’, mas ela tentava não transparecer toda sua intrigação.
_ Pedro…
_ Huh?
_ Aquele desenho…
_ O que tem ele?
_ Era isso que eu ia perguntar…
_ Áh, Camila… Ainda não terminei…
_ Sei, mas você disse que queria me entender com ele…
Ele sorri como quem foi pego numa mentira.
_ Não… Eu quero te compreender…
_ Hum… Mas você já me compreende…
Outro sorrisinho maroto.
_ Te compreendo?
_ É...
_ Acho que não entendi…
_ Pô, Pedro… Você não me acha chata?
_ CHATA??? Claro que não…
_ Sabe… Hoje cedo eu te chamei, tagarelei um monte pela sua demora e você ficou lá, totalmente calmo…
_ Áh, Camila… Eu sou assim… Por que eu brigaria com você?
_ Sei lá... Por eu arrastar o chinelo no chão, por exemplo.
Ele ri debochadamente.
_ Que bilhete… – continua rindo – Mas eu gosto de ouvir seu chinelo arrastando no chão. Me avisa quando você está chagando…
_ Droga, Pedro! Eu to falando sério e você vem com deboche!
Ele começa a rir mais ainda…
_ Desculpa, Camila… Você fica tão bonita braba…
Ela se sente desmontada e fica em silêncio…
_ Camila…
_ Que?!
_ Não fica braba comigo… – com um sorrisinho.
‘Áh… Eu não consigo ficar brava com ele…’, mas ela já começava a se compreender. Voltaram para casa e ela, exausta, foi se deitar, enquanto ele tentava terminar o desenho.
_ Pedro… Vem deitar?
_ Hu-hum…
_ Então vem… To com frio…
_ Tá... Só deixa eu terminar isso aqui…
_ Tá bom…
Silêncio… Ela começa a cochilar quando sente a falta dele…
_ Pedro… Você não vem?
Ele se aproxima da cama e lhe mostra o desenho…
_ Que você acha?
Um longo tempo se passou… a expressão do rosto foi mudando… Ela estava com sono, olhos entreabertos, penumbra. ‘Onde está a luz?’ Dirigiu a lâmpada de cabeceira pro desenho. Imóvel, ela observava. Sobrancelhas cerradas, fixou-se na imagem. Fechou os olhos, chorou. ‘Essa sou eu?’ Balançou a cabeça negativamente. ‘Então… Aqui está um outro espelho!’
_ Vê só... ela sorri pra mim! – Camila sorriu, veio à tona aquela gargalhada que lhe é peculiar, estrondosa, espontânea, ingênua.
_ Pedro? É possível amar alguém assim? Assim tão mesclada, tão cheia de cores? Olha isso! Parece uma mancha… e eu… eu aqui.
_ O que você quer encontrar aí, Camila? Isso é só um desenho!
_ Só um desenho? Nao! Você mesmo disse: ‘quero te capturar aqui, quero te compreender’. Como pode isso?
_ Não pode, você sabe que não pode…
_ Ai… eu gosto do que você fez… Fiquei um tempão em frente ao espelho buscando sei lá o que… Também não tá aqui. Posso por na parede?
_ Não… eu vou guardar. Essa Camila que tá aqui é só minha – sorriu.


Fev 1, 17:49
Momentos de nostalgia… essa história desperta sentimentos antigos que deveriam estar perdidos no tempo… devias tentar montar isso como uma peça!